Coaching de Planejamento Financeiro

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Millor Fernandes, com muito senso de humor, dá-nos um choque de realidade quando diz que só existe uma coisa mais inadequada do que morrer rico: viver pobre.

A dificuldade em entender  as palavras de Millor está em que medimos riqueza e pobreza em termos de dinheiro.

Ser rico ou ser pobre é muito mais do que dispormos ou não de recursos econômicos e financeiros, é podermos ou não realizar nossos desejos.

Como  vivemos numa sociedade que funciona a partir das leis do mercado, ou seja, na qual o valor das coisas está em sua escassez, exacerbamos o desejo de consumo para que faltem  serviços e produtos  e assim os valorizemos. De certa forma, para que funcione a economia de mercado, todos devemos nos sentir pobres.

Ante esta realidade, o que fazer? Acabar com a economia de mercado ou entender seu funcionamento?

Algumas vezes, esquecendo que o sentido de propriedade do mundo ocidental é um fenômeno cultural, tentamos compensar estas carências de produtos e serviços destruindo o sistema econômico sem levar em conta a cultura do povo. O grande fracasso dos sistemas de economia centralizada e de economia populista nos demonstra que devemos buscar alternativas.

A este altura do texto, vocês devem estar se perguntando: este é um artigo de macro economia ou de planejamento financeiro individual ou familiar? Que tem a ver o sistema econômico com o planejamento de minhas finanças para que um dia eu tenha uma renda que permita me independizar do meu salário?

Responderíamos: tudo. Vejamos:

Morrer rico ou viver pobre é o resultado de acreditar em três grandes mentiras.

A primeira é que ser rico é uma questão de dispor de dinheiro para satisfazer nossas necessidades ou desejos. Tornar-se rico é aprender a diferenciar entre nossos mais íntimos desejos daqueles criados artificialmente pela sociedade do desperdício. Sim, do desperdício. Desperdiçamos mais do que consumimos. Desperdiçamos a coisa mais escassa de que dispomos: do  tempo gasto em trabalhos que não nos satisfazem para consumirmos  o que não necessitamos.

A segunda é que devemos escolher entre gastar e investir. Quando aprendemos que as melhores coisas da vida são praticamente de graça, podemos  viver e morrer como ricos. A amizade, o amor, a solidariedade além de enriquecerem nossa qualidade de  vida, ajudam-nos a poupar ou recuperar parte do que desperdiçamos em coisas desnecessárias.

A terceira é que a segurança se pode comprar. Das três, esta talvez seja a mentira mais danina. Quando desperdiçamos nosso dinheiro em serviços e produtos de consumo, ao menos temos momentaneamente a sensação de plenitude, mas a compra da segurança futura normalmente nos exige sacrifícios no presente por algo que dificilmente vamos aproveitar. No futuro, o único certo é a morte. Quando entendemos isto, vendem-nos que estamos investindo na segurança de nossos filhos.

Então, o que fazer a partir de nos darmos conta desta situação?

  • Deixar de separar em campos distintos o desenvolvimento do autoconhecimento e o das finanças pessoais. O investimento mais rentável para o futuro é nos conhecermos melhor.  O que nos dá sentido na vida é conhecermos nossas necessidades básicas, nossos próprios desejos e a capacidade de transformação. Quando fazemos isso, as necessidades de recursos econômicos normalmente diminuem significativamente.
  • Aprender a viver plenamente o aqui e o agora e viver plenamente nossos  sonhos é a melhor forma de poupar vida. Assim viveremos como ricos mesmo que morramos financeiramente pobres.  Quando priorizamos nossos sonhos aprendemos a buscar e dar sentido ao nosso trabalho. Assim, este se transforma também em fonte de realização.
  • Acreditar que o futuro não se planeja, o futuro se projeta. Planejamos quando conhecemos boa parte das variáveis. Não temos nem ideia do que irá acontecer em 10, 20, 30 ou 40 anos. Estarmos preparados demanda uma boa dose de futurologia.

É com esta visão que convidamos a que faça o seguinte projeto financeiro:

1º  – Estude algumas regras simples da matemática financeira:

Exemplos:

  • Juro real: Você aprenderá que o juro que estão lhe pagando pelos seus depósitos é muito pequeno quando se desconta a inflação, o imposto de renda, e a taxa de administração da entidade financeira. Em determinados momentos é  até negativo.
  • Juro composto: Você entenderá como os números crescem assustadoramente em longos períodos de tempo, mas que isso não significa ficar rico.
  • Taxa de retorno dos investimentos: você aprenderá quanto rende agora seu esforço de poupar.
  • Valor presente de um ganho futuro: Você se surpreenderá como as maravilhas  que lhe prometem para o futuro são bem diferentes se analisadas sob outro ângulo.

2º  – Diversifique suas aplicações econômico-financeiras:

Exemplos:

  • Imóveis: Se você falar com um incorporador de imóveis, ele irá convencê-lo com números que investir em imóveis é o melhor negócio, pois mesmo que a população não cresça tanto no futuro, a renda das pessoas irá crescer e o número de famílias crescerá mais ainda. É que a família-tipo diminuirá de tamanho. Ele jamais mencionará coisas como a depreciação do imóvel pela modificação da geografia econômica da cidade, a necessidade de conservação ou  as  novas necessidades  e direitos de futuros inquilinos.
  • Ações: Se você falar com um administrador de carteiras de ações ou com um consultor de educação financeira, ele o convencerá que se aplicar em imóveis fosse um bom negócio, os bancos teriam suas agências em lugares próprios e não alugados como hoje; que o custo da administração de seu dinherio por parte dos bancos é de mais de 30%; que o grande negócio é ter uma carteira de ações em seu próprio nome; que as possíveis quedas do valor das ações podem ser compensadas por uma disciplina de compras constantes e que se pode ganhar com as disparidades de lucro aplicando parte em renda fixa de títulos. O que eles jamais mencionarão é que, ao longo de décadas, muitas empresas desaparecem e que países deixam de pagar seus bônus.
  • Aplicações financeiras: Se você falar com um banco, o gerente da sua conta apresentará tantos produtos que você ficará tonto com tantas alternativas. Ao nos conscientizarmos de nossa ignorância, geramos  uma necessidade de confiar em alguém, ou melhor, de ter fé em uma grande organização. Hoje temos dificuldades de mantermos nossa fé religiosa, mas religiosamente acreditamos naquele que nos vende a segurança de nosso futuro.

Como reflexão final desse nosso pequeno texto, gostaríamos de dizer que o coaching do planejamento financeiro é um processo de conscientização e auto-conhecimento que ajuda você a descobrir seus valores e desejos e que a partir disso se você viver plenamente o presente, estará também projetando seu futuro.

Não existem fórmulas mágicas para o planejamento financeiro. Mas, se esta existisse, seria expressa através da seguinte fórmula:

‘0PT = V + I +D +A

Em que

OPT = OTIMIZAR O PLANEJAMENTO FINANCEIRO

V = VIVER INTENSAMENTE O PRESENTE

– A eternidade se constrói  experimentando momentos felizes

I = INVESTIR EM AUTO-CONHECIMENTO, EDUCAÇÃO, FAMÍLIA, AMIGOS e PROJETOS

– A poupança resulta em não desperdiçar o tempo e recursos. Faça aquilo no qual você  acredita

D = DIVERSIFICAR SEUS ATIVOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS

– É melhor priorizar o risco de viver

A = AMAR SEM LIMITES

–  A verdadeira segurança no futuro está em sentir que valeu a pena viver e no apoio da família e dos amigos

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